quinta-feira, 3 de janeiro de 2008


Em meio ao verde macio.
Ver de macio o seu dorso estreito, esplêndido, encerrado em um estreito círculo de pau e pedra e giz. E sonho e mágica e moinho. Os olhos do homem tecem sobre ele um véu de mistério... mas pode haver mistério algum acerca de um animal que palpita encerrado em uma cerca? Mas não era a prisão sutil que o enciumava, e sim um longo, um áspero chifre adunco sobre Sua cabeça. Seria então o chifre seu algoz maior, seu capataz? Os olhos do homem, pousados sobre o chifre, enchiam de chofre sua mente com colorações de sangue e os urros do animal cercado cercavam seus ouvidos entre gemidos.
E branco. Alva pelugem.
O unicornio, branco, quatro patas, chifre no meio da testa, pescoço enlaçado de fita, fita o verdume do bosque. Fora do quadro, o homem. Não pertence ao quadro. Não está no quadro. O olho esquerdo do animal, entretanto, parece vê-lo... Agora em minha mente penso que não o unicórnio mas o homem se deixou capturar. Como eu, captulada ante a imagem de um animal mitológico que encontrei por acaso cercada que estava de passos e máquinas de costura.

Nenhum comentário: