domingo, 13 de janeiro de 2008

O fruto do amor está no futuro


E na ponta dos seus dedos. Sinto minha carne contra os teus dentes. O gosto de sangue e saliva que toma conta do espaço, do silêncio entre mim e você, dos meus pensamentos, das minhas virtudes, dos meus desejos, dos seus temores. Minha carne contra tua vontade, sem o seu consentimento. Teu amor sem que eu me defenda. O fruto do amor está no futuro. O amor está a espreita. O teu fruto está dentro de mim, teu segredo dourado guardado em uma capsula invisivel que eu só sei chamar de sonho. É teu corpo guardado dentro de mim por um instante indefinível, indomável, que eu só sei chamar de amor. E se seu beijo só vem quando há tormenta, e se seu beijo escapa entre lágrimas, e se minha boca pressente este beijo trêmulo, então eu sou feliz como um doente sem cura, preso na incurável obcessão de ser feliz um último dia, o último dia de vida. E morrer junto de ti, amor, como um sonho que dorme no peito de um gigante.
O amanhã é a síntese impossível. O fruto do amor está no futuro!

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